Friday, October 06, 2006

berlin, a chuva , a garota de berlin

Quando dera por si,andava tranquilamente na grunwald platz. Estava se sentindo calmo e sereno com o casaco militar que combinava com o seu cabelo recem raspado de maquina 1, com a sua mochila jeans e com o inseparavel bloco de desenho.

Fazia frio e o ceu cinza correspondia perfeitamente a imagem que tinha daquela cidade , que tanto pensara nas 9 horas de voo que o separavam daquela cidade. Fazia apenas tres anos que o murro caira e Berlim despertava como um ponto de encontro entre pessoas que acima de tudo pagavam para ver o que poderia acontecer neste mundo novo. A heroina estava com tudo e as raves estavam apenas comecando. Uma soh alemanha, uma cultura unica separada por 50 anos e por uma porra de um muro devidamente pichado. Mas Eduardo era esperto, sabia que os pedacos de murro e tinta que lhe ofereciam a cada esquina nao passavam de em embuste.

A esta hora todos jah descobriram. Sua mae deveria estar chorando, e seu pai estaria sofrendo por ter que se manter forte naquele momento em que teria que saber o que fazer. Seus colegas... ah, os seus colegas....sabia que estava com o seu destino decretado e que nao poderia voltar para o brasil, pelo menos nao com o mesmo nome. O caso era tao bizarro que muito provavelmente apareceria no jornal nacional, ou pelo menos no jornal local da sua cidade. Jovem aparentemente inocente foge com todo o dinheiro da comissao de formatura.

Ate agora Eduardo nao sabe porque fez isso. Seu melhor amigo e mais 66 colegas trocariam uma semana em Porto Seguro por 3 no maximo 4 dias em Florianopolis. Dois anos de economia, uma festa junina e duas festas para arrecadar dinheiro para o grande dia. Eduardo pegou todo o dinheiro e veio para Berlim. Sem compromisso, sem medo, sem mesmo pensar muito se esta era uma decisao certa ou errada.Ela tambem sofreria, mas nao queria pensar nisto agora.
Deixou tudo de lado para tomar a decisao certa. Sem morais alheias, sem culpas e sem remorso. Apenas por que lhe deu vontade. Mas sabia que TINHA QUE estar em Berlim naquele dia, naquela praca. De vez em quando parava e fazia alguns desenhos, tinha a certeza que em algum momento quando tirasse os olhos do papel reciclado e olhasse para cima encararia meio sem querer alguem que mudaria totalmente a sua vida.
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Ja estava na segunda semana e todos os dias passava pela mesma rua, com a mesma velha mochila e com o seu bloquinho de notas. E parava sempre na grumwald platz, sentava na grama e ficava olhando pra cima, pro ceu cinza que aprendera amar e acompanhava com um meio-sorriso toda a fauna de berliners. Gostava especialmente dos punks e dos que vieram da antiga DDR, com o seu jeito simples de crianca que ainda descobria o mundo por tras daquelas roupas antigas e do modo meio estranho de andar pela cidade.

Encontrara meio sem querer Herr Mathias Tellman, que conhecer na Argentina. Ele fazia intercambio e seu pai fora transferido a trabalho e levou toda a familia. Conversaram com animosidade num espanhol meio capenga, e foram beber numa daquelas cervejarias bacanas de madeira escura.

E foi la, no meio de uma serie de pilsens, que ele a encontrou. Usava uma saia cumprida e as bochechas rosadas contrastavam com o cabelo loiro que a deixava com cara de camponesa. Quando deu por si , um hallo ja saira da soa boca.

Ich lieben du - disse ele meio sem querer - und Ich bin sehr nett - tentou corrigir

Ela achou graca naquele garoto mais novo que se esforcava para grunhir algumas palavras na lingua dela, deu uma risada curta e foi embora.

E ele voltou pra grunwald platz, andando devagar debaixo da chuva. Ah, a chuva...Aquela mesma que logo mais molharia a garota de Berlim.

Continua...

1 comment:

Anonymous said...

tudo bem, eu sei que ficou longo pra c.

Mas poxa vida, as vezes tem que ser assim mesmo... brasileiro não gosta de ler e tudo o mais, só que as vezes tem coisa demais pra contar...